O Papa Francisco reconheceu as “virtudes heróicas”, o primeiro passo para a beatificação e canonização, do cientista francês que descobriu a causa da síndrome de Down, informou o Vaticano na última quinta-feira (21).

O médico francês Jerome Lejeune, que morreu em 1994 aos 67 anos, conhecido por suas posições antiaborto, descobriu a anormalidade nos cromossomos que causa a síndrome de Down. Esta síndrome foi registrada em 23 de cada 10.000 nascimentos na União Europeia em 2015, de acordo com números oficiais.

No Brasil, segundo a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down estima-se que no Brasil 1 em cada 700 nascimentos ocorre o caso de trissomia 21. De acordo com o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Brasil existem aproximadamente 300 mil pessoas com Síndrome de Down.

Lejeune, que era amigo pessoal de João Paulo II, católico fervoroso e líder do movimento francês antiaborto, foi o primeiro cientista a detectar esse distúrbio pré-natal que causa aborto em alguns casos.

A descoberta de Lejeune permite o diagnóstico precoce da síndrome de Down, mas o cientista sempre se opôs ao aborto, mesmo em casos de fetos afetados por essa anomalia.

O pontífice polonês, como resultado dessa amizade, criou a Pontifícia Academia para a Vida, e encarregou Lejeune de instituí-la e presidi-la.

Após o reconhecimento das “virtudes heróicas”, é necessário que uma comissão de especialistas da igreja reconheça que ela intercedeu em um milagre para ser proclamada beata e dois milagres para se tornar santa.

Fonte: AFP

Foto: Reprodução Wikipedia e Jerome Lejeane Foundation