Na primeira semana do ano, o Presidente da República Jair Bolsonaro deu mais uma declaração irresponsável, prestando um desserviço, sem considerar todo o trabalho feito até aqui para tornar a educação no País mais inclusiva. Segundo ele, a presença de alunos com deficiência na sala de aula ‘nivela por baixo’ a educação e pode prejudicar toda a turma.

Eu, como mãe de uma criança com deficiência intelectual, tenho acompanhado através de pesquisas e lido sobre o assunto há alguns anos, posso dizer que acontece justamente o contrário. A presença de um aluno com deficiência dentro de uma sala regular traz benefícios para ele e para os outros colegas. A socialização, o convívio com a diferença e a troca contribuem para o desenvolvimento dessas crianças. Afinal, a escola é a primeira experiência que se assemelha à realidade que encaramos na vida adulta. A sociedade é constituída a partir das diferenças, particularidades e realidades distintas.

Desde 2010, o Instituto Jô Clemente tem feito estudos sobre o desenvolvimento educacional de pessoas com deficiência atendidas pela instituição. A pesquisa foi realizada observando 109 atendidos pelo IJC. Um trabalho realizado pelo Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI) do IJC. Os resultados comprovaram a importância da educação inclusiva. As crianças e adolescentes que frequentaram escolas regulares, ou seja, a salas de aula comuns, demonstraram ganhos em relação à identidade, autonomia, comunicação, linguagem, expressão, relacionamento interpessoal e aprendizagem.

Tudo isso vejo na prática com o meu filho. O convívio escolar contribuiu para a independência do Francisco. Ele tem autonomia, se faz entender, consegue transmitir suas ideias e vontades. É possível notar também o quanto a convivência contribuiu para as outras crianças. A troca e contato com as diferenças só trazem ganhos e tornam essas crianças mais empáticas.

A educação é um direito de todos, sem discriminação e com igualdade de oportunidades. Já avançamos muito, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional  e a Lei Brasileira de inclusão existem para assegurar esse direito. A pessoa com deficiência, assim como todas as outras, deve ter acesso e oportunidades para alcançar o máximo desenvolvimento possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de aprendizagem.

Não vamos aceitar retrocessos, opiniões sem embasamento e falas preconceituosas. Exigimos respeito. Dizemos sim para a educação Inclusiva, para a diversidade e para uma sociedade para todos!

Thaissa Alvarenga – Fundadora da ONG Nosso Olhar e do Portal de conteúdo Chico e suas Marias