Recém criado, vem com o intuito de  levar o ensino da arte a um maior número de pessoas

Fotos: Arte 21 e Sindnei Tavares.

Artista plástica e arte educadora, Juliana Brandão tornou-se mãe de um menino com síndrome de Down em 2016, apesar de ter dado continuidade ao seu aperfeiçoamento em artes, um novo desejo veio crescendo, que era realizar um projeto específico para a inclusão. Com o nome artístico Naya, ela já participou de concursos e salões de arte, e suas esculturas podem ser vistas em seu site: www.naya.art.br.

A partir do evento que realizamos em agosto deste ano, o “Um cromossomo, infinitas possibilidades, em parceria com o Empathiae, podemos conhecer o seu trabalho. Ela é a criadora do Projeto Arte 21, ainda em construção, mas com um trabalho muito bacana. Na ocasião, ela deu uma oficina de artes para as crianças presentes. Para conhecer o seu trabalho, fizemos algumas perguntas:

Nosso Olhar: Conte um pouco sobre seu trabalho com arte, como começou até chegar no projeto Arte 21? Como surgiu, quais foram as motivações e conquistas?

Juliana: Artista plástica e designer, trabalhei em diversas agências e estúdios de design (Pão de Açúcar, Agência We entre outras) até 2016 quando comecei o trabalho como escultora.  Lecionei, em paralelo, as disciplinas de História da Arte, Comunicação Visual, Computação Gráfica e Artes Plásticas, nas instituições: ESPM SP, ESAMC Santos e Anhembi Morumbi.

Atualmente sou professora na Escola Panamericana de Artes. Formada em Educação Artística – Bacharel em Artes Plásticas pela Universidade São Judas Tadeu no ano 2000. Pós Graduada em Comunicação com o Mercado pela ESPM-SP em 2009 e fiz a Licenciatura em Artes Visuais em 2016.

N.O.: Fale sobre a prática artística e os trabalhos que desenvolve com cada faixa etária.

J: Eu ainda não desenvolvi muitos trabalhos, apenas duas oficinas específicas. Minha experiência maior é como professora de artes, atualmente na Escola Panamericana de Artes, e pretendo levar o ensino de arte ao maior número de pessoas.

Penso que para as pessoas com síndrome de Down, ficamos em atividades sempre muito “infantilizadas” e até “banais”  para os jovens e adultos. Pretendo trabalhar com a arte contemporânea, para que, se possível, eles participem de salões e concursos como um artista regular.

N.O.: Como foi a construção para usar a arte para o desenvolvimento e como um recurso terapêutico?

J: A proposta: Oferecer um curso livre de artes plásticas para jovens e adultos com Síndrome de Down para que, pela prática artística, possam melhorar sua autoestima, a coordenação motora, promover a inclusão social, já que o aluno pode alcançar uma maior autonomia, trabalhando a criatividade e conquistando uma vida mais plena e feliz.

O objetivo é que o aluno possa praticar a arte como um recurso terapêutico (motricidade fina, serenidade, autoconhecimento entre outros) e também como uma forma de expressar suas ideias ao mundo como artista. Será realizado em ateliês / espaços parceiros, ou em formato de oficinas em eventos.

N.O.: Caso eu não tenha citado algo que você considera importante, sinta-se à vontade para falar.

J: O projeto ainda está muito recente, fiz essas duas oficinas, sendo uma com o Empathiae, e outra no Movimentarte. No Movimentarte, grupo onde meu filho participa, estamos formatando para atender os alunos da faixa etária do curso de lá (7 a 12 / 12 em diante) como oficina de artes plásticas – trazendo conteúdos contemporâneos.

N.O.: Para encerrar, fale sobre as descobertas, conte histórias que te marcam.

J: Uma das histórias que gosto muito é da Judith Scott. Ela  nasceu em 1943, em Ohio, nos Estados Unidos, com síndrome de Down. Morou na casa dos pais com a irmã gêmea Joyce até os 7 anos, quando foi internada em uma instituição. Lá ela viveu isolada, sem educação nem estímulos, já que se considerava que tinha um “comprometimento muito severo”.

Trinta anos depois a irmã, Joyce, levou Judith para morar com ela. Só então se descobriu que ela era surda. Judith começou a frequentar o Creative Growth, um centro artístico para pessoas com deficiência, em Oakland, na Califórnia. A princípio, não demonstrou muito interesse, mas quando foi apresentada a fios e materiais têxteis, começou a produzir seus “casulos”, envolvendo toda sorte de objetos de diferentes tamanhos, e não parou mais.

Judith Scott criou mais de 200 esculturas nos 18 anos em que esteve no Creative Growth Center, até sua morte, em 2005. Hoje sua obra é reconhecida internacionalmente faz parte de acervos de museus e coleções particulares. Eu pude ver suas obras da bienal de Veneza, em 2017.